Programação 2003
1ª
Sessão:
Coordenadora:
Sônia Larangeira (UFRGS) - sonia21@vortex.ufrgs.br
-
Negociação coletiva e equidade
de genero no Brasil e em países selecionados da América Latina: uma
análise comparativa - Laís
Wendel Abramo (OIT).
- Patterns of labour Control and the Erosion of labour Standards in Regimes of Hegemonic Despotism. Towards an International Study of the Quality of Working life in the Automobile Industry (Brazil, Canada, Italy, Japan and the UK) - Paul Stewart (Bristol Business School), Wayne Lewchuk (McMaster University), Valeria Pulignano, José Ramalho (UFRJ), Marco Santana (UNIRIO), Charlotte Yates (McMaster University), Masaki Saruta (Chukyo University, Nagoya) e Andy Danford (Bristol Business School).
- Mudanças organizacionais e condições de trabalho: percepções dos trabalhadores e gerentes de uma empresa de eletrodomésticos de linha branca - Leda Gitahy (UNICAMP), Nanci Stancki (UNICAMP - CEFET-PR) e Ana Maria Bezerra Pina (UNICAMP)
2ª
Sessão:
Entre o local e o global: mudanças sócio-espaciais, relações de trabalho e práticas sindicais.
Coordenador:
Marco Aurélio Santana (UNIRIO) - msantana@bridge.com.br
-
As
inovações de trabalho nos tempos de ‘globalização’ e sua expressão
urbana na metrópole paulistana dos anos noventa - Philip
Gunn (USP)
- Mercado de trabalho e dinâmica sindical – A questão da indústria automobilística no Paraná - Silvia Maria P. de Araújo (UFPR) e Benilde Maria Lenzi Motim (UFPR)
- Powerful Unions, Vulnerable Workers: The representation of seafarers in the global labour market - Helen Sampson (Seafarers International Research Centre - Cardiff University)
- Reestruturação produtiva, ação sindical e respostas operárias na indústria de linha branca - Angela Maria Carneiro Araújo (Unicamp) e Mariana Leite Figueiredo (Unicamp)
3ª
Sessão:
Trabalho, emprego e direitos no mundo flexível
Coordenadora:
Magda Neves (IRT-PUC-MG) – irt@pucminas.br
-
Um Mosaico de Classe: A Terceirização na
RLAM e a pulverização dos sindicatos - Graça Druck (UFBA) e
Luis Flávio Reis Godinho (UFBA).
-
Trabalhadores rurais em luta pelos direitos
- Maria Aparecida de Moraes Silva (Unesp - UFSCar) e Amauri
Alves Wensko (Unesp)
-
O trabalho autogestionário
em cooperativas de produção: A retomada de um velho paradigma
- Jacob Carlos Lima (UFPB)
- Nas interfaces do trabalho, emprego e lazer - Leila Maria da Silva Blass (PUC - SP)
Os
trabalhadores no contexto da globalização dos alimentos
Josefa
Salete Barbosa Cavalcanti (Profa. do Departamento de Ciências Sociais -
UFPE), Dalva Mota (Doutoranda do PPGS- UFPE) e Ana Cristina Belo da Silva
(Bolsista CNPq)
Com base em evidências empíricas recentes, este trabalho traz ao debate as características das mudanças no trabalho e a crescente industrialização da agricultura. Neste sentido, focaliza as estreitas relações entre os espaços agrícolas e aqueles da distribuição e consumo dos alimentos, segundo dados de pesquisa realizada com unidades agroindustriais e familiares das novas regiões produtora de frutas e vegetais do Nordeste do Brasil, e também com supermercados da cidade do Recife. A hipótese a ser examinada é a de que as regras e convenções definidas pelos supermercados estão influenciando fortemente os espaços da produção, ao tempo em que os usos da moderna tecnologia contribuem para a transformação dos produtos, dos postos de trabalho e das qualificações requeridas dos gestores e outros trabalhadores que participam dos setores de produção, distribuição e consumo dos alimentos. Destarte, serão examinadas mudanças na construção dos produtos e nos tipos de serviços relacionados, destacando os modos como os parâmetros de qualidade instituídos pelos agentes externos, passam a envolver os alimentos, os trabalhadores e o meio ambiente, num conjunto particular de relações sociais, que tende a transformar o trabalho na agricultura, os tempos definidos para a distribuição e consumo dos produtos agrícolas e, conseqüentemente, a sociabilidade e os tipos de controle exercidos sobre os trabalhadores.
Tendências das Experiências de trabalho e produção Solidárias no Brasil
Luiz Inácio Gaiger (Prof. da Universidade do Vale do Rio dos Sinos -RS)
O objeto do trabalho são as iniciativas de associação econômica, dedicadas à geração de trabalho e renda, bem como suas organizações ad hoc, cujas características permitem identificá-las como agentes propulsores de um novo solidarismo popular. Seguindo uma tendência internacional, há no país um perceptível aumento do interesse sobre esses empreendimentos associativos, os quais estariam configurando, ao lado de uma revitalização do cooperativismo e de outras organizações conexas, uma economia solidária, em nítido processo de expansão. Suas características não estão dadas, mas se apresentam como tendências e potencialidades. Buscar compreendê-las significa captar as ambivalências, dificuldades e contradições que tais iniciativas carregam e, por conseguinte, colocar em questão o próprio conceito de economia solidária.
A autogestão e a nova questão social: repensando a relação indivíduo-sociedade
Cinara Rosenfield (Profa. da UFRGS).
Este estudo busca analisar o papel social desempenhado pelas iniciativas de produção cooperativadas e autogeridas, sob uma dupla abordagem: 1- análise das empresas autogeridas enquanto projeto político-social alternativo de geração de trabalho e renda (especificamente, no caso empírico aqui analisado, capitaneado pelo sindicato ao constituir uma cooperativa de produção a partir da falência de uma indústria metalúrgica); 2- análise sob a ótica de uma sociabilidade regida pela nova questão social que remete a uma outra relação indivíduo-sociedade, onde associam-se ações e projetos coletivos com estratégias individuais de inserção social.
O
novo discurso da qualificação profissional e os trabalhadores do “Consórcio
Modular” em Resende/RJ.
Lia
de Mattos Rocha (Mestre pelo PPGSA/UFRJ)
O
objetivo deste trabalho é compreender como as novas exigências em relação
ao trabalhador, resultantes das reestruturações produtivas ocorridas nas
últimas décadas, são apreendidas no processo produtivo tanto pelos
trabalhadores, quanto pela gerência, a partir do novo paradigma de
qualificação centrado na questão da competência. Pretende-se observar
quais as características que a fábrica em questão privilegia na contratação
de seus empregados, e compreender como esses trabalhadores são treinados e
como a gerência lança mão dessas características no processo da produção.
O caso escolhido para a realização desse trabalho é a planta da
Volkswagen instalada na região de Resende (no Sul fluminense) desde 1996,
organizada de forma a inserir os fornecedores dentro de um “Consórcio
Modular”, modificando de forma radical a relação entre-firmas.
Jovens trabalhadores e integração social no Rio de Janeiro: algumas questões para o debate
Rogério Mendes de Lima (Prof. do Centro Universitário da Cidade /RJ)
As
transformações econômicas ocorridas na década de 90 no Brasil alteraram
significativamente o panorama do mundo do trabalho em nosso país.
Caracterizada pelo que se convencionou chamar de reestruturação
produtiva, essas mudanças redefiniram as formas de organização das relações
de trabalho, destruindo e incorporando novas formas de sociabilidade e
fazendo emergir, progressivamente, um novo cenário social.
Diante dos recortes possíveis, este trabalho, parte de uma pesquisa
em desenvolvimento, enfoca o processo de integração social pelo mundo do
trabalho de jovens trabalhadores na cidade do Rio de Janeiro, analisando
suas perspectivas de vida, suas formas de integração social, o processo de
continuidades e descontinuidades em relação ao passado e quais as reflexões
que esta experiência pode trazer para a compreensão das novas configurações
do mundo do trabalho no Brasil. Neste
momento, o objetivo deste trabalho consiste em apresentar algumas questões
que vão se delineando e que tornam necessária uma reflexão sobre os parâmetros
de análise sobre o mundo do trabalho pela sociologia brasileira.
16:15 - 16:30 - Intervalo
16:30 - 18:30 - Sessão de comunicações
Os
componentes do sistema brasileiro de relações de trabalho: permanência
e mudança
Cecília Helena Ornellas Renner (Prof. do Mestrado em Direito da Universidade Católica de Santos -SP)
As reflexões apresentadas neste trabalho foram inspiradas, inicialmente, pelo debate aberto devido ao envio, pelo Poder Executivo, ao Congresso Nacional, do Projeto de Lei nº 5.483/2001, que propôs a alteração do artigo 618 da CLT, estabelecendo que “as condições de trabalho ajustadas mediante convenção ou acordo coletivo prevalecem sobre o disposto em lei, desde que não contrariem a Constituição Federal e as normas de segurança e saúde do trabalhador". Isto se deu, após uma sucessão de reformas que revelavam a tendência à ampliação do espaço dado à negociação das condições de trabalho, que acompanharam a intensificação da discussão acerca da flexibilização das relações laborais, visando possibilitar a predominância das condições negociadas em detrimento daquelas estabelecidas em lei. Sendo o sistema constituído por partes integradas, que aspectos desse sistema se mantiveram e em que componentes incidiram as mudanças ocorridas no sistema? Quem tem sido o beneficiário das mudanças ocorridas? Enfim, com que modificações e atendendo a interesses de que grupos têm esse sistema sobrevivido às práticas atuais de um Estado neoliberal? Propomos assim analisar os componentes desse sistema, suas funções e quais as alterações que têm sido introduzidas de forma a responder à questão porque supôs-se que as negociações coletivas poderiam auxiliar a flexibilização das relações de trabalho, tal como está implícito no projeto acima citado.
O
processo de negociação na Mercedes Benz-ABC: novo governo, novos
desafios.
Renan
Bandeirante de Araújo (Pesquisador do NEG-Unesp/Marília)
CUT-cidadã:
uma avaliação do sindicalismo recente
O presente trabalho tem por objetivo uma avaliação dos desdobramentos da ação sindical cutista nos anos 90. Ação que passou do campo do confronto explícito para novas formas de negociação e de participação propositiva na esfera pública. Conjunto de ações que ficou conhecido no meio sindical por CUT-Cidadã. Entretanto, tal padrão de ação, ainda pouco avaliado por pesquisadores e sindicalistas, não deixa de provocar conflitos, visto que suas ambigüidades o colocam em uma fronteira nebulosa que separa direitos sociais e filantropia. Em oposição/complementação da ação sindical tradicional – de defesa dos direitos trabalhistas e da reposição de perdas salariais – o Sindicalismo CUT, influenciado fortemente pelo novo marco institucional da Constituição de 88 e pelo desafio de resistir a políticas neoliberais, desenvolveu novos padrões de ação. Estes novos padrões caracterizam-se fundamentalmente pela participação na formulação, gestão e implementação de políticas públicas – seja através da intervenção em Conselhos (Codefat, Conselhos de Saúde, Conselhos de Educação, etc...), seja através da implementação de agências de emprego e renda e de cooperativas de trabalhadores.
O (atual) debate sobre organização sindical no sindicalismo-CUT
Sérgio
Tadeu dos Santos (Prof.
da Universidade Estácio de Sá - RJ)
O trabalho analisa a retomada do debate sobre estrutura sindical pelo sindicalismo-CUT dentro do esforço de atualizar sua estratégia sindical para atuação em uma conjuntura que é marcada por profundas transformações no mundo do trabalho, principalmente a partir da década de 1990. Tendo como pano de fundo este debate buscamos verificar os possíveis rumos do sindicalismo-CUT em um cenário inédito no qual sua mais expressiva liderança, Luís Inácio Lula da Silva, foi eleito presidente e diversos ex-dirigentes sindicais cutistas agora assumem a direção do rumo das propostas de reformas trabalhistas e sindicais que figuram como propostas centrais no governo do Partido dos Trabalhadores (PT). Assim, a partir das teses congressuais, bem como das entrevistas com seus dirigentes nacionais, analisamos as concepções atuais do sindicalismo-CUT sobre reforma trabalhista e sindical, discutindo os rumos do sindicalismo-CUT em um momento no qual diversas de suas lideranças vão dirigir o processo de reforma das leis trabalhistas no Brasil dentro da perspectiva que vem caracterizando o movimento sindical cutista desde o seu nascimento: uma atuação que se caracterizou pela ampliação dos espaços de democracia e liberdade para os trabalhadores.
Dia 23 de maio de 2003 - Sexta-feira
10:00 - Mesa-redonda: Os trabalhadores e a nova conjuntura política brasileira
Sala da Congregação FEA-USP
3a. Sessão - Redesenhando instituições e práticas sindicais
Coordenador: Arnaldo Mazzei Nogueira (FEA-USP)
O
Redirecionamento e a Globalização da Luta Sindical
Lúcia
Maria de Barros Freire (Profa.
da UERJ )
Este trabalho objetiva apresentar o resultado de pesquisa em andamento, em continuidade à investigação realizada de 1996 a 1998, sobre as perdas e desestruturação social provocadas pela reestruturação produtiva neoliberal, em grandes empresas no Brasil. Paralelamente ao estilhaçamento analisado por Cruz (2000), evidenciou-se uma nova via dominante de luta dos trabalhadores organizados em torno da Central Única dos Trabalhadores (CUT), antes predominantemente nas fábricas, que passa a aglutinar-se na direção “de fora”, com a sociedade, através de fóruns de controle social e eventos do movimento social, para “dentro” daquelas. Esta proposta ressalta o avanço que representa a nova direção, junto com os novos obstáculos frente às novas expressões da questão social, considerados como desafios e alternativas de luta, no permanente movimento dialético da história.
O
Novo Desenho Institucional do Sistema Previdenciário Argentino:
Estratificação de Interesses e Exclusão Social
Sidney
Jard da Silva (Doutorando em Ciência Política, USP)
A Argentina foi pioneira na implementação de um sistema previdenciário multipilar na América Latina. Com a criação do Sistema Integrado de Jubilaciones y Pensiones, em 1994, o sistema previdenciário argentino foi dividido em três pilares: um primeiro pilar público e mandatório, com objetivo resdistributivo; um segundo pilar misto (público/privado) e mandatório, com objetivo de poupança e seguro social; e, finalmente, um terceiro pilar privado e facultativo, para aqueles interessados em receber uma renda previdenciária maior ou antecipar a aposentadoria. O presente trabalho analisa o novo desenho institucional do sistema previdenciário argentino, chamando atenção para o seu caráter estratificador e excludente. O material empírico analisado refere-se à nova legislação previdenciária argentina, dados fornecidos por órgãos governamentais e entrevistas realizadas com sindicalistas daquele País.
Terceirização
na Petrobras - Modernizaçâo e exclusão sob o paradigma de rede:
desafios para o sindicalismo petroleiro
Valeria
Rosa Bicudo (Profa. Substituta da ESS/UFRJ) e Fernando Guilherme Tenório
(Prof. da EBAPE/FGV-RJ)
As reflexões propostas neste artigo constituem parte dos resultados do trabalho de campo do projeto de pesquisa do Mestrado em Administração Pública da EBAPE/FGV, sobre terceirização na indústria do Petróleo. O objetivo é evidenciar ambigüidades e impactos do fenômeno da terceirização - viabilizado por um novo tipo de competição capitalista por intermédio de redes inter-empresas - em determinado segmento da indústria do petróleo, assim como os desafios para o movimento sindical petroleiro. Desenvolveu-se, assim, uma pesquisa empírica tendo como locus de investigação o setor de manutenção industrial de uma refinaria de petróleo do Rio de Janeiro, durante o período de 1999 a 2001. A leitura dessa problemática considerou as ópticas sindical e dos próprios trabalhadores terceirizados enquanto atores e sujeitos sociais que sofrem significativos impactos, a partir do fenômeno em questão.
Marcelo
Carvalho Rosa (Doutorando em Sociologia, IUPERJ e Pesquisador Estagiário
de pós-graduação no PPGAS/Museu Nacional/UFRJ)
O objetivo deste trabalho é discutir algumas das recentes transformações no sindicalismo rural brasileiro a partir da emergência de novos grupos e organizações que, de diversas maneiras, passaram a mobilizar trabalhadores rurais outrora filiados aos sindicatos de trabalhadores rurais. De forma mais específica, trata-se de apreender - através de um estudo de caso - alguns dos desdobramentos práticos que o estabelecimento de uma competição explícita entre uma das principais federações de trabalhadores rurais do país (a FETAPE de Pernambuco) e o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) tem gerado para a atividade sindical naquela região, considerada por muitos como exemplar para boa parte do sindicalismo brasileiro.
Ação sindical no pólo automotivo do Sul Fluminense: projeto coletivo ou trajetórias individuais ?
Este trabalho tem por ponto de partida é a trajetória de um sindicalista que teve ascensão em meio à implantação de um pólo industrial automotivo no sul do estado do Rio de Janeiro na década de 1990. Este processo servirá de "pano-de-fundo" para uma avaliação de como o desenvolvimento da ação sindical e a projeção que teve este sindicalista não estão exclusivamente relacionados às "modernas" relações de trabalho ou ao considerável aumento da base de trabalhadores que foram proporcionados pelas novas fábricas. Enfocando a história de vida deste "personagem" e a disputa que se estabeleceu entre ele e outros sindicalistas em torno da representação dos novos operários, o estudo mostra a organização dos trabalhadores do Sul Fluminense como uma complexa relação entre um "projeto coletivo" e as finalidades mais imediatas levadas a cabo pelos participantes deste. Num plano mais teórico, a intenção é inserir-se no debate sobre o engajamento individual em ações coletivas de modo a problematizar as formas de tratamento que as ciências sociais têm dado aos estudos biográficos.
16:00 - 16:15 - Intervalo16:15 - 18:15 - Sessão de comunicações
Neoliberalismo
e relações de classe no Brasil
Armando
Boito Jr. (Prof. do Departamento de Ciência Política, Unicamp)
O trabalho analisa o impacto das reformas neoliberais nas relações de classe da sociedade brasileira. São examinadas as alterações ocorridas no bloco no poder, a nova composição das frações burguesas, as alianças de classe e as posições das classes trabalhadoras nesse novo modelo de capitalismo. O texto sustenta que o neoliberalismo representa uma nova hegemonia burguesa no capitalismo brasileiro: o bloco no poder neoliberal detém o controle da política de Estado e a ideologia neoliberal difundiu-se em alguns setores das classes populares.
Ascensão
e refluxo do MST e da luta pela terra na década neoliberal
Claudinei
Coletti (Doutorando em Ciências
Sociais, Unicamp)
O objetivo deste trabalho é analisar a trajetória do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem- Terra (MST) na década de 1990, especialmente na “era FHC”. Quando observamos mais atentamente o período pós-1995 notamos um crescimento expressivo das ações do MST durante o primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso (1995-98) e um refluxo do movimento nos anos recentes. Nossa intenção, neste sentido, será explicar as razões desse crescimento e os fatores responsáveis por esse refluxo. Nossa hipótese geral é que o avanço do MST no primeiro mandato do governo FHC foi possível, em primeiro lugar, graças aos efeitos perversos causados pelo aprofundamento das políticas neoliberais no Brasil – o aumento expressivo do desemprego (urbano e rural) nos anos 90 e a inviabilidade da pequena produção agrícola fizeram com que inúmeros desempregados e ex-pequenos produtores rurais engrossassem as fileiras do MST -, em segundo lugar, pelo caráter, pelo menos à primeira vista, mais democrático do governo FHC no início do seu primeiro mandato, fato que abriu caminho para o avanço da luta pela terra naquele momento. Já o refluxo das ações do MST, a nosso ver, estaria diretamente relacionado a um conjunto de medidas duramente repressivas adotadas pelo governo FHC, em seu segundo mandato, contra o movimento.
Patrícia Vieira Trópia (Doutoranda em Ciências Sociais, Unicamp e Profa. da Puc-Campinas)
O neoliberalismo tem suscitado reações muito heterogêneas no sindicalismo brasileiro, variando da política de resistência à política de adesão. Este artigo analisa a adesão da central de trabalhadores Força Sindical ao neoliberalismo. Desde a sua criação, em 1991, esta central tem defendido e apoiado a implantação das políticas de privatização e de desregulamentação das relações de trabalho. Apesar do caráter socialmente perverso do neoliberalismo, este apoio não se restringe apenas às direções dos sindicatos filiados. Os metalúrgicos de São Paulo, principal base da Força Sindical, também aderiram, ainda que de forma passiva, ao neoliberalismo. As razões do crescimento da central ao longo da década e do apoio do operariado metalúrgico de São Paulo ao antiestatismo são analisadas neste trabalho.
Esta revista visa cobrir uma lacuna nos estudos sobre a Igreja Católica e movimentos sociais. Durante os anos de 1970 e 1980, as principais editoras católicas e universitárias publicaram uma centena de títulos acerca das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), Teologia da Libertação (TdL) e propriamente da chamada “Igreja da Libertação”. No entanto, devido às profundas mudanças no cenário sócio-político e, por que não, eclesial brasileiro, o interesse pelo assunto decaiu bastante.
No ano de 2000, procurando atender a uma solicitação vinda da Ampliada Nacional das CEBs, a UCB, por meio das Pró-reitorias de Pesquisa e Pós-Graduação (PRPPG) e de Extensão (PROEx), especialmente da Diretoria de Programas de Pastoral (DPP) colocou sua estrutura a serviço da Igreja e, em particular, destas comunidades, para organizar um Centro de Documentação e Pesquisa (sob a coordenação do Prof. Pedro Ribeiro de Oliveira).
Além de manter um acervo, único no Brasil, que resgata e preserva a história de mais de 40 anos das CEBs, também publica uma revista acadêmica, no formato Word, nos campos da sociologia, antropologia, história, ciência política, ciência da religião e teologia.
Esta possui um Conselho Editorial bastante respeitado sobre o assunto (entre seus membros destacamos Clodovis Boff, Carlos Alberto Steil, Ivo Lebauspin, José Oscar Beozzo, Dom Pedro Casaldáliga, Frei Betto, entre outros) e já foram lançadas 3 números e já alcançamos o número de 215 assinaturas eletrônicas.
Ela está organizada da seguinte forma: artigos acadêmicos, resenhas de livros, documentação (reprodução de alguns documentos interessantes de nosso acervo) e resumo de teses e dissertações. Sua periodicidade é semestral com edições nos meses de maio e novembro de cada ano.
Desse modo, seria muito importante para a revista receber produções recentes sobre as Comunidades Eclesiais de Base ou mesmo indicações de colegas, estudantes e outros pesquisadores que vem trabalhando com o tema e tem interesse de divulgar os resultado de suas pesquisas.
Perspectivas do Trabalho no Brasil
Data: 26, 27 e 28 de maio de 2003
Local: Anfiteatro I - Faculdade de Filosofia e Ciências - UNESP/Marília
Dia
26 de maio - segunda-feira
10:
00 hs
Abertura
da Exposição de Pinturas sobre o Mundo do Trabalho
Biblioteca
do Campus
(organização:
Dr. Ariovaldo Santos/UEL)
14:00-17:00
hs
Análise
do Filme “Tempos Modernos”.
Projeto
Cinema Como Experiência Crítica
Exposição:
Dr. Giovanni Alves (UNESP)
Debatedor:
Dr. Marco Aurélio Santana (UNIRIO)
19:00
Lançamento de Livros
19:
30: Abertura Oficial
Tema:
Perspectivas do Trabalho no Brasil
Francisco
Soares Teixeira (UECE/IDT)
Dr.
Ricardo Antunes (UNICAMP)
Dra. Fátima Cabral (UNESP) e Dr. Giovanni Alves (UNESP) - Coordenadores
Dia
27 de maio - terça-feira
Tema:
Trabalho. Técnica e Subjetividade
Dra.
Meriti de Souza (UNESP-Assis)
Dr.
Giovanni Alves (UNESP-Marilia)
Dr.
Ariovaldo Santos (UEL)
Dra.
Fátima Cabral (UNESP)
Dr.
Leni Sato (USP)
Silvia Helena de Oliveira (Mestrado-UNESP) - Coordenação
Sessão
de Comunicações
Tema:
Trabalho e Capital Em Debate
Dra.
Maria Orlanda Pinassi (UNESP-Araraquara)
Dr.
Sérgio Lessa (UFAL)
Dr.
Antonio Carlos Mazzeo (UNESP – Marilia)
Ms. Renan Bandeirante de Araújo (Projeto NEG) - Coordenação
Dia
28 de maio - quarta-feira.
Manhã
Tema:
Trabalho e Reestruturação Produtiva
Dra.
Vera Navarro (USP – Ribeirão Preto)
Dr.
Antonio Thomaz Jr. (UNESP –Presidente Prudente)
Dr.
Claudio Reis (UNESP-Assis)
Dr.
Marco Aurélio Santana (UNIRIO)
Ms. Roberto Batista (UNESPAR – Paranavaí) - Coordenação
Defesa
de Dissertação
Anfiteatro
I
Tema:
Trabalho e Política: Perspectivas do Governo Lula
Osvaldo Bargas - Secretario de Relações do Trabalho (TEM – Governo Lula)
Técnico
do DIEESE (A combinar)
Altamiro
Borges (CES - Centro de Estudos Sindicais)
Dr.
José Meneleu Neto (UECE)
Dr.
Giovanni Alves (UNESP) – Coordenação
Taxa de Inscrição:
Graduação
– R$ 10,00
Pós-graduação:
R$ 15,00
Profissionais:
R$ 20,00
Taxa de inscrição para apresentação de comunicação: R$ 5,00
e-mail: saepe@marilia.unesp.br
Organização Geral:
Dr. Giovanni Alves (UNESP)
B) Patrimônio Industrial
Carta
Manifesto pela Preservação do Patrimônio Industrial no Brasil.
Reunidos
em São Paulo no dia 15 de março de 2003, os profissionais e instituições que
subscrevem esta Carta convocam todos os interessados na preservação do patrimônio
industrial no Brasil a se unirem em torno do Comitê Provisório pela Preservação
do Patrimônio Industrial no Brasil, fundado nessa data.
A
idéia de criação desse Comitê surgiu em discussões informais de
profissionais das áreas de História, Sociologia, Arquitetura e outras, sobre
fatos concretos de destruição/deterioração que vem ocorrendo no país, dada
a velocidade das transformações que
vêm atingindo o nosso parque industrial. São inúmeros os riscos que ameaçam
a preservação de um patrimônio que diz respeito a grandes contingentes da
população brasileira. Em todas as regiões do Brasil existem exemplos de
patrimônio industrial, de grande importância histórica, econômica, tecnológica
e social, que precisam ser preservados.
A
aceleração das mudanças tecnológicas, as transferências de fábricas para
outros Estados, os processos de fusão e incorporação de empresas tradicionais
por grupos estrangeiros, bem como o processo de desindustrialização de algumas
regiões do país, tem provocado o fechamento de fábricas e manufaturas, a
deterioração das edificações e equipamentos e até mesmo a simples demolição
de muitas delas.
Muitas dessas fábricas possuem importante valor arquitetônico, representando diversas fases do desenvolvimento industrial brasileiro, e também profundas relações históricas e culturais com as comunidades que as circundam. No entanto, até mesmo os responsáveis pela preservação do patrimônio histórico e cultural do país, em seus três níveis de atuação – municipal, estadual e federal, frequentemente subestimam o patrimônio industrial, considerando-o pouco relevante no conjunto do patrimônio a ser preservado. Além disso, os próprios proprietários encaram esses antigos espaços fabris apenas como fonte de recursos, abrindo espaço para a voracidade da especulação imobiliária.
Por
outro lado, a preservação de fábricas e de todos os elementos que integram a
atividade fabril já é, há algumas décadas, uma forte tendência urbanística
e turística em várias partes do mundo. Além do aspecto histórico de tal
preservação, sem dúvida fundamental, o impacto educacional e cultural de tais
iniciativas, tem se mostrado bastante promissor em várias destas experiências,
com desdobramentos positivos nos campos econômico,
social e ambiental. A preservação de espaços industriais, embora ainda
em pequena escala, já é também uma realidade no Brasil. Basta ver os exemplos
do SESC Pompéia e Belenzinho na cidade de São Paulo, a Serraria Souza Pinto,
em Belo Horizonte, o Espaço Mascarenhas, em Juiz de Fora/MG e a recente
iniciativa do município de Guarulhos/SP em transformar a antiga fábrica têxtil
Adamastor num Centro Educacional.
Já
existe uma organização internacional que luta pela preservação do patrimônio
industrial, o The International Comittee for the Conservation of the Industrial
Heritage – TICCIH. Essa organização possui instituições afiliadas em vários
países, inclusive na América Latina. No Brasil, porém, há um vácuo de
organizações nesta área. Aproveitando
a mobilização em torno da preservação de algumas antigas indústrias como
Matarazzo Petybom e Nitro Química, em São Paulo, e da Fábrica de Marzagão,
em Sabará/MG, considerando ainda o clima político favorável, atualmente
existente no país, achamos que é
possível fundar um Comitê pela Preservação do Patrimônio Industrial também
aqui no Brasil. Queremos que esse Comitê sirva como instrumento de pressão e
eventual apoio ao poder público e às comunidades, visando iniciativas de
preservação industrial. Além disso, deve servir também como órgão de
estudos e pesquisa, divulgação da causa preservacionista, articulando
comunidades, organizações da sociedade civil, entidades empresariais e
sindicais, tanto na preservação desse patrimônio, quanto na busca de
alternativas para a sua revitalização.
Assim, convidamos todos aqueles interessados no debate sobre patrimônio industrial a somar esforços conosco. Para tanto, abrimos um grupo de discussão na Internet. Neste grupo pretendemos debater os mecanismos para a estruturação de um Comitê Permanente no Brasil, bem como iniciar uma troca mais sistemática de experiências. Assim, solicitamos a todos que se inscreverem no grupo, que enviem uma mensagem de apresentação, indicando, se possível, a filiação institucional e que tipo de experiência ou interesse possui em relação ao patrimônio industrial. Desejamos convocar para breve uma nova reunião que, após a divulgação e debate via (Lista de Discussão) correio eletrônico, encaminharia a fundação do Comitê Brasileiro pela Preservação do Patrimônio Industrial. Para participar do grupo de discussão sobre Patrimônio Industrial, basta enviar uma mensagem para:
patrimonioindustrialbrasil-subscribe@yahoogrupos.com.br
Membros do Comitê Provisório pela Preservação do Patrimônio Industrial no Brasil
PAULO FONTES -Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo
MOEMA MOREIRA GONTIJO-Centro de Memória do Sistema FIEMG – Fed. das Indústrias do Estado de Minas Gerais
LEONARDO G. MELLO E SILVA- Depto. Sociologia USP
SILVANA B. RUBINO -PUC-Campinas
HENRIQUE TELLES VICHNEWSKI- Unicamp
TELMA BESSA SALES
MICHAEL L. MOGENSEN
TAÍS VIUDES DE FREITAS
RENATA FALEIROS CAMARGO MORENO
MARINA GURGEL NEVES
APARECIDO PERPÉTUO MARCONDES
RODRIGO SALVADOR LOCHI
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