:::::::::::::: ANPOCS 2005/2006

Coordenação e Proponentes

Coordenação:

Iram Jácome Rodrigues (USP)
Rua Havaí, 533 – apto. 7B
CEP:01259-000
Sumaré
São Paulo – SP
Tel: (11) 3872-2422
E-mail: ijrodrig@usp.br

Jacob Carlos Lima (UFSCar)
Rua Episcopal, 2474 – apto 141 – Bloco 1
CEP: 13560-049
São Carlos - SP
Tel: (16) 3376-1593
E-mail: jacobl@uol.com.br

Proponentes:

Ângela Araújo (UNICAMP)
Armando Boito Jr. (UNICAMP)
Arnaldo Nogueira (PUC-SP e USP)
Elina Pessanha (PPGSA-UFRJ)
Graça Druck (UFBA)
Heloísa de Souza Martins (USP)
Iram Jácome Rodrigues (USP)
Jacob Carlos Lima (UFSCAR)
José Ricardo Ramalho (UFRJ)
José Sérgio Leite Lopes (PPGAS-UFRJ)
Leda Gitahy (UNICAMP)
Magda Neves (PUC-Minas)
Márcia de Paula Leite (UNICAMP)
Marco Aurélio Santana (UNIRIO)
Regina Morel (PPGSA-UFRJ)
Ricardo Antunes (UNICAMP)
Sílvia Araújo (UFPR)
Sônia Larangeira (UFRGS)

Plano de Trabalho

INTRODUÇÃO

O mundo do trabalho tem estado no centro das principais transformações ocorridas no estágio atual de desenvolvimento do capitalismo. A incorporação das novas tecnologias de informação e a flexibilização das relações de produção induziram a criação de novas formas de trabalho (em tempo parcial, temporário, a domicílio etc.), e mudaram significativamente as características da classe trabalhadora. Essa situação afetou de modo significativo as práticas sindicais e colocou em xeque as estratégias construídas em períodos anteriores do desenvolvimento econômico.

A proposta deste GT é discutir este processo sob duas perspectivas. Por um lado, analisar as novas características do trabalho e do emprego em uma situação social marcada pela reestruturação das atividades produtivas e sua articulação em rede, e seus desdobramentos em termos de flexibilização, precarização e informalização do emprego. Por outro lado, pretende discutir as estratégias dos sindicatos nesse novo contexto, dando ênfase aos mecanismos de ação coletiva acionados a partir do questionamento ao corporativismo, da preocupação com os desempregados, e do empenho na busca de novas orientações, como por exemplo, a participação em projetos de políticas públicas e sociais (incluindo educação, emprego e geração de renda).

JUSTIFICATIVA E RELEVÂNCIA DA TEMÁTICA

As últimas décadas têm assistido a uma verdadeira revolução no mundo do trabalho. Alguns autores caracterizam esse processo como sendo quase tão expressivo quanto o fenômeno da Revolução Industrial com todo seu corolário de transformações para a sociedade do século XIX.

A partir dos anos 1950 a ação sindical viveu momentos de fundamental importância quando a instituição trabalhista foi amplamente reconhecida e seu poder se consolidou enormemente Nos anos recentes, no entanto, as grandes organizações industriais que, em alguma medida, representavam a força do trabalho organizado foram, paulatinamente, sendo consideradas obsoletas. Competição global, recessão e incertezas econômicas crescentes, em alguma medida, colocaram em crise o sindicalismo e as bases institucionais nas quais ele se desenvolveu.

Estas mudanças têm trazido enormes desafios para a ação sindical. As respostas a esta questão, bem como a compreensão de seu significado para a atuação dos trabalhadores não é consensual, sendo fonte de debates não só no campo sindical, mas também no espaço acadêmico.

Em linhas gerais, pode-se dizer que os obstáculos à atividade sindical se colocam, principalmente, em decorrência de que historicamente as ações trabalhistas sempre se pautaram pela demanda de acesso a bens e/ou poder públicos e privados para o trabalhador nacional. Por isso, o sindicato tem encontrado muitas dificuldades para enfrentar a chamada revolução micro-eletrônica e o fenômeno de globalização da sociedade. Nesse processo, o que se tem observado é que as reivindicações, muitas vezes, se espraiam, do nível econômico e/ou político para a sociedade como um todo e, de outra parte, em muitos casos, muda do âmbito nacional, tanto para a esfera local quanto em direção à esfera global.

Além disso, nestes últimos anos, alterações no mundo do trabalho têm trazido profundas conseqüências para a ação sindical e tendo como um dos seus principais resultados o crescimento de uma legião de empregados precários, parciais, temporários etc. Ao adentrarmos no século XXI, estes trabalhadores estarão se tornando parte cada vez mais significativa da economia. Esse é, pois, um obstáculo adicional ao trabalho organizado.

De certa forma, a questão do trabalho hoje reafirma elementos que marcaram sua centralidade na explicação do social no século XX ampliando seu escopo na compreensão da sociabilidade humana, e das possibilidades de futuro.

O assalariamento que, de certa forma, caracterizou a relação capital/trabalho durante largo período, criou as condições de agregação de direitos sociais aos contratos de trabalho. Já a flexibilidade propiciada pela revolução tecnológica, representada pela informatização e a telemática, desterritorializou a produção e o trabalho, internacionalizando os mercados, desorganizando identidades coletivas fundadas no local, no regional, no nacional. O “local” é ressignificado dentro dos nós de uma sociedade em rede, na qual atuam empresas, Estados e trabalhadores.

As empresas, por vezes, atuam globalmente, acima dos Estados nacionais. De outra parte, tentam adequar suas políticas na atração de investimentos e procuram se inserir no processo de internacionalização, percebido como inexorável e sem volta. A noção de “desenvolvimento nacional” vinculado à industrialização é superada pela necessidade de inserção produtiva a redes globais. Ser competitivo significa ter menores custos e acompanhar as inovações tecnológicas. Menores custos representam o corte de trabalho vivo, ou no caso da produção trabalho-intensivo, procurá-lo onde é mais barato.

Desse modo, os assalariados são os mais afetados pela nova ordem econômica mundial. Ganhos sociais resultantes de lutas de um século são perdidos em nome da competitividade global. A classe, enquanto ator coletivo perde importância na mudança social, por sua fragmentação, dispersão geográfica e crescente vulnerabilidade social. As utopias perdem força. Assim, novos desafios são colocados à ação coletiva exigindo um repensar do trabalho em suas novas-velhas formas e em sua complexidade.

No caso brasileiro, que não fugiu à regra em termos das transformações, é importante discutir a lógica das ações sindicais no novo contexto da realidade do trabalho, considerando diferentes ramos e setores econômicos bem como regiões do País, tendo em vista avaliar a presença de mudanças nas estratégias e implicações para os trabalhadores. Os estudos sobre sindicalismo na Grã-Bretanha, França e Estados Unidos, por exemplo, têm enfatizado o debate em torno dos modelos de sindicalismo julgados mais apropriados: modelo de parceria social; de ganhos mútuos; sindicalismo de competência, ou seja, modelo baseado não no conflito de classe ou no corporativismo, mas na negociação versus “padrão antagonista” e “modelo corporativista”.

Como se configura a situação no Brasil em termos de novas estratégias e “modelos” de sindicatos? Que tipos de modelos são predominantes, qual o impacto de suas estratégias para os trabalhadores? Quais os riscos (burocratização, ausência de greves, favorecimento dos interesses das empresas) e/ou ganhos das novas estratégias?

O processo de globalização econômica tornou-se um tema central para explicar uma série de fenômenos sociológicos, em especial, na Sociologia do Trabalho, realizada no Brasil. Apesar disso, as análises sobre sindicatos têm dedicado pouca atenção às possibilidades para o desenvolvimento de uma regulação internacional do trabalho, a qual já se manifesta na ação efetiva de alguns sindicatos que representam empregados de empresas transnacionais. Essa realidade nova e promissora não se constrói sem contradições o que permite levantar uma série de questões: a regulação internacional do trabalho tem um papel efetivo no sentido de contribuir para a elevação dos princípios de cidadania no trabalho ou constitui-se apenas em formas incipientes e ornamentais? Qual a relação entre a regulação nacional e internacional – há incompatibilidades ou sinergias? Qual a real possibilidade de superar possíveis resistências por parte das instituições nacionais face à intervenção externa?

Em resumo, o cenário que se constrói propõe algumas questões: qual o lugar do trabalho na sociedade do século XXI, comparando-se com a realidade do século XX? Qual a efetiva possibilidade do desenvolvimento econômico promover o crescimento do emprego no Brasil vis-à-vis o quadro internacional de crescimento sem aumento de empregos? É possível pensar um desenvolvimento de corte mais social que, escapando de preocupações meramente econômicas, garanta proteção à sociedade e aos trabalhadores para além de seus vínculos de trabalho? Estariam os trabalhadores e sindicatos preparados para enfrentar os marcos trazidos pela flexibilização, agora possivelmente chancelada em termos legais? Qual o papel do governo no que se refere à proteção aos trabalhadores e benefícios diretos (e indiretos) não mais vinculados somente à formalização do mundo do trabalho, que lhes dê mais segurança em um quadro de crescente instabilidade? Quais os limites e as possibilidades das práticas empresariais em um cenário em que a empresa assume papel de destaque não só em termos produtivos e competitivos, mas também em termos de preocupações sociais? Como se desenvolverá a relação entre sindicatos e Estado no contexto de um governo oriundo do movimento sindical? Essas são algumas das muitas questões colocadas na ordem do dia e que exigem um debate sociológico mais profundo e que pretendemos começar a discutir a partir de estudos que estão sendo desenvolvidos por pesquisadores da área.

O objetivo desta proposta de Grupo de Trabalho é o de promover a discussão desse processo a partir de alguns eixos. Por um lado, refletir sobre as novas características do trabalho e o perfil da classe trabalhadora que o ciclo recente da economia mundial e brasileira estão a demandar, buscando analisar as implicações sociais que daí decorrem. Por outro lado, discutir o momento atual no qual são formuladas propostas de mudanças na legislação sindical e trabalhista, arenas nas quais os atores políticos estão articulados para defender os seus interesses, bem como os possíveis impactos concretos da mesma. Analisar a relação entre Estado e movimento sindical, que na atual conjuntura apresenta características particulares tendo em vista a ampla presença de sindicalistas no interior do aparelho de Estado. E, por fim, refletir sobre a articulação do movimento sindical com os outros movimentos sociais diante de questões, que afetam significativos setores da sociedade, como o desemprego, a precarização do trabalho, o tema do trabalho infanto-juvenil, gênero, informalidade, terceirização, exclusão, imigração, pobreza.

É, nesse sentido, que ganha relevância a discussão e reflexão sobre esses fenômenos contemporâneos e seus impactos para a realidade brasileira. É esse, pois, o escopo que o GT – Trabalho e Sindicato na Sociedade Contemporânea procurará abordar no debate intelectual, tanto no âmbito da ANPOCS quanto no da sociedade brasileira, e essas são algumas das razões que justificam a solicitação de sua (re)inscrição.

Sessões

A partir das questões sublinhadas acima, o GT pretende discutir os seguintes temas no biênio (2005-2006):

2005:

Primeira sessão: Movimentos sociais em perspectiva comparada no sul do mundo: trabalho e sindicalismo no Brasil, Índia, África do Sul e Tailândia
Obs: para esta primeira sessão os participantes teriam recursos para financiarem suas vindas no âmbito de Projeto da Fundação Ford.

Segunda sessão: O debate sobre a Reforma Sindical e Trabalhista

Terceira sessão: O sindicato diante das novas formas de trabalho: precarização, informalidade, cooperativas, economia solidária, terceirização

Proposta de evento independente do Encontro Anual da ANPOCS: Seminário Intermediário sobre o tema: Trabalho, desenvolvimento e direitos sociais.

Realização prevista para novembro de 2005.

Local: Universidade de São Paulo


2006:

Primeira sessão: Identidade social, trabalho e direitos: metamorfoses sociais e políticas

Segunda sessão: Políticas públicas, desenvolvimento local e ação sindical

Terceira sessão: Trabalho, internacionalização de direitos, sindicalismo e integração regional

Proposta de evento independente do Encontro Anual da ANPOCS: Seminário Intermediário sobre o tema: Sindicalismo em transformação: crise ou novas estratégias? Realização prevista para abril de 2006.

Local: Universidade Federal do Paraná

Textos

Clique no nome do(s) autor(es) para fazer baixar os textos disponíveis

SESSÃO 1 - Trabalho: novas questões e novos desafios

Coordenador: Ricardo Antunes (UNICAMP)
Debatedor(es): Jacob Carlos Lima (UFSCar)


Autonomia e teletrabalho
Cinara L. Rosenfield (UFRGS)

Perfil Sócio-econômico dos trabalhadores da indústria automotiva e o movimento sindical:
Grande São Paulo e Catalão
Rosana Ribeiro (UFU) e Sebastião Cunha (UEGO)

O impacto das mudanças tecnológicas do setor terciário sobre as relações de trabalho no
Brasil, na década de 90
Jose Dari Krein (UNICAMP) e José Ricardo Gonçalves (UNICAMP)

É posssível uma política deliberativa para o trabalho?
Leonardo Gomes Mello e Silva (USP)

SESSÃO 2 - As mudanças na ação sindical

Coordenador: José Ricardo Ramalho (UFRJ)
Debatedor(es): Armando Boito Júnior (UNICAMP)

A reforma sindical negociada no âmbito do Fórum Nacional do Trabalho: deslocamentos normativos e impactos sobre os atores coletivos do trabalho
Sayonara Grillo Coutinho (PUC-RIO) e Leonardo da Silva (FELS)

Especulações sobre consenso e dissenso na Reforma Sindical
Carlos Henrique Horn (UFRGS)

Relações de trabalho e sindicalismo entre o público e o privado no Brasil
Arnaldo José França Mazzei Nogueira (USP e PUC-SP)

Sindicatos em Transformação: “modelos” de ação sindical – o debate internacional
Sonia Maria Guimaraes Larangeira (UFRGS)

SESSÃO 3 - Trabalho: institucionalidades e identidades

Coordenador: Elina Pessanha (UFRJ)
Debatedor(es): Marcia Paula Leite (UNICAMP)

As relações de trabalho nas organizações da economia solidária. Um paralelo Brasil-França.
Anne Marie T.G.E. Wautier (UNIJUÍ)

Maturidade e experiência em atividades informais de baixa renda
Iracema Brandão Guimarães (UFBA)

Para além dos sindicatos: a formação de grupos de atingidos do trabalho
Diana Antonaz (UFPA) e José Sergio Leite (UFRJ)

Envelhecer na fábrica: a redefinição da identidade dos metalúrgicos do ABC nos anos 90.
Kimi Aparecida Tomizaki (UNICAMP)

 


 

Coordenador do NETS:
Marco Aurélio Santana
(IFCS UFRJ)


E-mail para contato:
Boletimgt@bridge.com.br

 
 

 

 

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