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:::::::::::::: ANPOCS
2002/2003
Coordenação
e Proponentes
Coordenação:
Marco Aurélio Santana (UNIRIO)
Rua Viúva Lacerda, 249, Bloco 03,
ap. 305.
Humaitá – RJ – Cep: 22261-050
E-mail: msantana@bridge.com.br
José Ricardo Ramalho (UFRJ)
Rua Viúva Lacerda, 300, ap. 101.
Humaitá – RJ – Cep: 22261-050
E-mail: jramalho@ifcs.ufrj.br
Proponentes:
Armando Boito Jr. (UNICAMP)
Arnaldo Nogueira (PUC-SP - USP)
Brasília Carlos Ferreira (UFRN)
Elina Pessanha (UFRJ)
Heloísa Martins (USP)
Iram Jácome Rodrigues (USP)
Jacob Carlos Lima (UFPB)
José Ricardo Ramalho (UFRJ)
José Sérgio Leite Lopes (UFRJ)
Leôncio Martins Rodrigues (UNICAMP)
Marco Aurélio Santana (UNIRIO)
Magda Neves (PUC-MG)
Maria Célia Paoli (USP)
Maria da Graça Druck (UFBA)
Regina Morel (UFRJ)
Ricardo Antunes (UNICAMP)
Sônia Larangeira (UFRGS)
Plano de Trabalho
Definição da temática
No contexto de um modo de desenvolvimento
econômico marcado pela influência
da tecnologia da informação
e pela flexibilização das
relações de produção,
o trabalho e os trabalhadores têm
estado no centro das principais transformações
que buscam viabilizar o funcionamento desse
novo modelo. A partir de uma nova divisão
do trabalho e com o crescimento de novos
formatos de trabalho (em tempo parcial,
temporário, a domicílio etc),
pode-se dizer que mudaram significativamente
as características de uma classe
trabalhadora construída pela lógica
fordista de produção, mesmo
considerando-se as especificidades entre
os países. Tudo isso afetou de modo
real os organismos de representação
dos trabalhadores, em especial a instituição
sindical. A proposta deste GT é debater
e discutir este processo sob duas perspectivas.
Por um lado, analisar as novas características
dos trabalhadores criados nesse ciclo de
desenvolvimento e suas dificuldades em se
identificar com formas anteriores de representação
de interesses (partidos e sindicatos). Por
outro lado, tendo como pano de fundo a perda
dos mecanismos de proteção
social (flexibilização das
leis trabalhistas etc), que pauta a nova
questão social, pretende discutir
as estratégias dos sindicatos, dando
ênfase aos mecanismos de ação
coletiva acionados a partir do questionamento
ao corporativismo, da preocupação
com os desempregados, e do empenho na busca
de novas orientações, como
por exemplo, a participação
em projetos de políticas públicas
e sociais (incluindo educação,
emprego e geração de renda).
Justificativa e relevância
da temática
O final do século XX foi marcado
por profundas transformações
sócio-econômicas, em função
de um processo de globalização
e de abertura comercial, acompanhado por
um ideário que impôs ajustes
nos níveis macro e micro econômicos
com decorrentes impactos sociais e políticos.
Este processo legou ao século que
se inicia uma série de questionamentos
e incertezas. Nesse contexto, no qual a
economia parece querer se livrar de quaisquer
liames que a atrelem e limitem à
vida social, chamam a atenção
os efeitos dessas mudanças sobre
o mundo do trabalho e sobre as organizações
de trabalhadores, principalmente em sua
faceta sindical.
A economia mundial, empurrada para um estágio
altamente competitivo, acabou por inaugurar
um novo tempo de instabilidades. As empresas,
no olho do furacão, buscaram se reestruturar
para enfrentá-lo. Esta reestruturação
teve lastro na chamada revolução
microeletrônica, mas também,
e em alguns casos mais fortemente, em novas
formas de organização da produção.
Como se disse, produzir-se-ia mais, e melhor,
com menos gente. O mundo produtivo deveria
deixar de ser rígido, para tornar-se
enxuto e flexível.
O mundo do trabalho, principalmente nos
países desenvolvidos, modificou-se
rapidamente, colocando em xeque todo o arcabouço
social construído ao seu redor, configurando
um novo cenário de operações.
O consenso protetor do welfare state foi
substituído pela dieta neoliberal.
Muitas das certezas, consolidadas há
pelo menos cinqüenta anos, em termos
da importância do papel do Estado
na economia e da necessidade de processos
regulatórios mantenedores de proteção
social, foram profundamente abaladas ou,
ao menos, enfraquecidas no debate público.
Não tardou para que a experiência
dos países centrais transbordasse,
alcançando também os países
periféricos onde, tanto a proteção
social, como a formalização
das relações de trabalho já
não eram das mais sólidas,
dando-lhe novas tonalidades.
Nestes marcos, o trabalho assumiu novos
formatos e os atores sociais, descentrados
dele, pareciam não mais querer identificar-se
nos marcos genéricos da classe e
de suas correlatas máquinas de representação
de interesses, como partidos e sindicatos,
corroendo-lhes a representatividade. A segurança
do pleno emprego foi substituída
pelo desemprego de tom perene, cuja extensão
no corpo social e duração
no tempo, têm levado mesmo a uma re-significação
do termo. Os sistemas de contratação
foram duramente atacados, em busca de uma
maior flexibilização da produção
e dos mercados. Formas de contratação
flexíveis, antes consideradas atípicas,
passaram a ser a regra, trazendo para o
vocabulário cotidiano termos como
subcontratação, terceirização,
contrato temporário e trabalho em
tempo parcial. A formalização
de contratos e relações de
trabalho passava a ser vista como obstáculo,
ao qual só a informalização
radical seria o antídoto. As políticas
de proteção social ao indivíduo,
dentro e fora do trabalho, foram sendo substituídas
por políticas de aumento da competitividade.
A própria avaliação
acerca da desigualdade social mudou de perspectiva.
Pensada antes como problema a ser tratado
com o aumento dos benefícios sociais,
passava, sob a nova ótica, a ser
identificada como necessária para
o maior engajamento e desempenho dos indivíduos
na sociedade.
Tais mudanças tiveram repercussão
tanto no processo organizativo dos trabalhadores,
como na relação capital/trabalho.
Os organismos sindicais, um dos pólos
mais ativos no espectro de ações
coletivas dos trabalhadores na defesa de
seus interesses, incluindo aí seus
aspectos de movimento e de instituição,
passaram a ter muita dificuldade em dar
conta do novo cenário, que lhe reduzia
grandemente os espaços de manobra,
colocando em risco as formas de ação
e conquistas desenvolvidas ao longo do século
XX. Os novos tempos pareciam trazer um tipo
de sociabilidade que se contrapunha, sobrepujando,
quaisquer possibilidades de participação
de corte coletivo e público.
Porém, se em um primeiro momento,
as transformações pareceram
letais para quaisquer formas coletivas de
agenciamento de interesses por parte dos
trabalhadores, e de fato, inicialmente,
devido à sua força, davam
essa impressão, hoje já se
notam claros indícios de que pode
estar ocorrendo um ressurgimento do movimento
organizativo dos trabalhadores, a partir
de uma plêiade diferenciada de ações
coletivas.
Com a crise, e após o refluxo, estes
sinais de ressurgimento aparecem em processos
nos quais se dá a integração
de formas e práticas pré-existentes
com novos formatos de organização
e orientação sindicais, abrangendo,
inclusive, temas anteriormente pouco explorados
pelos sindicatos. Desta forma, os sindicatos
vêm articulando suas atividades mobilizatórias
tradicionais, com a participação
em outras instâncias tais como, o
debate e a intervenção em
projetos de políticas públicas
e sociais (inclua-se aqui, entre outras,
educação, emprego, formação
profissional e geração de
renda).
A mudança no eixo de intervenção
e organização dos sindicatos
tem relação direta com o cenário
de desregulamentação e de
flexibilização de todo o sistema
social montado a partir do mundo do trabalho
(pense-se aqui em um espectro amplo que
vai desde as leis de proteção
direta ao trabalho, até o sistema
previdenciário), que passa de uma
situação de proteção,
para um contexto de baixa proteção.
Neste quadro, a questão social retornou
ao centro das preocupações
tanto das sociedades contemporâneas,
em geral, como dos trabalhadores, em particular,
figurando fortemente no ideário sindical.
Porém, como já se disse, não
se trata de um mero retorno aos problemas
do passado. Os fenômenos sociais que
temos presenciado, não são
de fácil encaixe nas categorias pré-existentes.
Trata-se de uma nova questão social.
O trabalho, um dos eixos centrais de vertebração
da ordem social moderna, ficou enfraquecido,
com a chamada crise do trabalho, e a sociedade
sofreu as conseqüências, através
de problemas sociais diferenciados, no que
já vem sendo designado de a nova
era das desigualdades, marcada, entre outras,
pela perda de institutos de proteção
social, pelo aumento das taxas de pobreza
global e pelo aumento das disparidades sociais,
enfim, pela ampliação das
margens de vulnerabilidade social e econômica.
Dado o grau de instabilidade que tomou
o antes seguro mundo do trabalho, a lógica
de orientação sindical passou
a lidar também com os deserdados
(inseridos nas altas cifras de desemprego),
e com os instáveis (aqueles que embora
empregados, não podem se sentir em
situação estável, nem
dentro nem fora do trabalho). Neste e em
outros temas, impôs-se uma ampliação
de escopo, que não pôde deixar
de ser percebida e enfrentada pelos atores
sociais organizados no mundo do trabalho.
Não foram apenas a prática
dos agentes sociais e os projetos políticos
a eles relacionados, os vitimados pela desestabilização;
a teoria social, voltada para a compreensão
daquelas práticas e projetos, também
não ficou incólume. Percebem-se
hoje, claramente, os limites conceituais
das formulações explicativas
para o entendimento do quadro em curso e
a urgente tarefa de se construir instrumentos
analíticos mais adequados.
As questões colocadas na ordem do
dia, não são das mais fáceis.
Que características vai assumindo
esta sociedade que vinculou grande parcela
de sua sociabilidade ao trabalho e agora
prescinde dele, atribuindo-lhe um papel
secundário? Durante muito tempo,
foi do trabalho que espraiaram movimentos
universalizantes de direitos para toda a
sociedade. Será a sociedade, agora
prescindindo daqueles atores, capaz de formular
novos direitos inclusivos ou continuará
acelerando o passo atual em direção
a novas desigualdades e ao aumento da exclusão?
Que tarefas têm os trabalhadores e
suas organizações neste mundo
instável? Quais formatos organizativos
e orientação de ações
eles têm buscado para se adequar a
ele? No caso brasileiro, os dilemas são
ainda maiores, já que o país
foi surpreendido em meio ao vendaval sem
nem mesmo ter resolvido outros problemas
sociais mais básicos e corre o risco
de vê-los ainda mais potencializados.
Enfim, estas são algumas das muitas
questões que parecem ainda estar
em aberto, sem muitas resoluções
fáceis, seja no campo da teoria,
seja no campo da prática dos agentes,
e que estarão norteando as preocupações
de nosso GT nos próximos dois anos.
Histórico do GT
O coletivo que apresenta esta proposta,
esteve no biênio anterior (1998/2000),
organizado no GT Sindicalismo e Política,
e completa em 2002, vinte e quatro anos
de existência. É um dos GTs
mais antigos da ANPOCS. Ao longo desse período,
teve vários nomes: primeiro, chamou-se
Movimento Operário e Sindicatos (1978
e 1980 a 1984); depois, Classe Operária
e Sindicalismo (1985 a 1989, 1991 e 1992);
em seguida Trabalhadores, Sindicalismo e
Política (1994 a 1996), e ao final
dos anos noventa intitulou-se Sindicalismo
e Política (1998 a 2000).
Artigos e Resenhas na RBCS
No período mais recente (1998/2000),
papers apresentados em nosso GT foram publicados
na revista da ANPOCS. Em 1998, foi selecionado
o artigo de Marco Aurélio Santana
(UNIRIO) (publicado em 1999). Em 1999, foram
selecionados os artigos de Zairo Cheibub
(UFF) (publicado em 2000) e de Ângela
Araújo (UNICAMP) (publicado em 2001).
Em 2000, foi selecionado o artigo de Sidney
Jard (USP) (publicado em 2001). Além
disso, três resenhas foram publicadas
(Marco Aurélio Santana (UNIRIO),
José Ricardo Ramalho (UFRJ) e Iram
Jácome Rodrigues (USP)). Neste sentido,
a produção do GT esteve presente
em praticamente todos os números
da RBCS no período.
Boletim Eletrônico e Página
na Rede Mundial de Computadores
Ao longo de 1999/2000, conseguimos efetivar
dois projetos com vistas a intensificar
a troca de informações no
âmbito do GT.
Primeiro foi o Boletim Eletrônico
Sindicalismo e Política. Com o intuito
de divulgar teses, dissertações,
cursos, eventos, livros e textos acerca
da problemática tratada pelo grupo,
este informativo, que já conta com
35 edições mensais, começou
restrito ao GT e hoje se estende para além
dele, contando com uma mala direta de cerca
de 400 pessoas, no Brasil e no exterior.
O número de solicitações
de subscrições cresce a cada
edição, dentro e fora do universo
acadêmico. E o informativo acabou
se constituindo em fonte de pesquisa para
muitos, tendo em vista o nível e
a extensão do material divulgado.
O segundo projeto foi a colocação
de nossa página na rede mundial de
computadores. Nela, fazemos a divulgação
das atividades do GT, bem como abrimos espaços
para a disponibilização de
textos etc. A página já conta
com mais de 15 mil visitantes, com uma média
de 16 visitas diárias. As consultas
são as mais diversas, incluindo desde
pesquisadores universitários até
alunos do segundo grau, além de agentes
de organizações da sociedade
civil. O endereço da página
é o seguinte: www.pessoal.bridge.com.br/sindicalismo
Sessões
Apresentação
No intuito de debater as questões
apresentadas acima, estamos propondo este
plano de atividades para o biênio 2002/2003.
Ele foi discutido, em suas linhas gerais,
pelo coletivo proponente e já deriva
do homônimo Seminário Temático
aprovado pela ANPOCS em 2001. No ST, a discussão,
de cunho mais exploratório, centrou-se
em perspectivas mais gerais, nos marcos comparativos
internacionais. Propomos, para estes dois
anos, sem perder de vista a perspectiva internacional,
um aprofundamento da análise do caso
brasileiro, cuja produção em
termos da pesquisa acadêmica, tem sido
de grande monta.
No Encontro Anual de 2002 teremos
três sessões com a presença
de expositores que, com suas pesquisas, a
partir de suas áreas de atuação,
podem contribuir para um aprofundamento da
análise dos temas propostos. Como tem
sido a praxe, entre os participantes deste
ano, procuramos preencher os critérios
de representatividade institucional e regional,
bem como pela etapa da carreira profissional.
A proposta de GT vai assinada por pesquisadores
de universidades públicas e privadas
de sete estados da federação.
A primeira sessão
visa discutir a forma pela qual os trabalhadores
vão lidando, de forma prática
e organizacional, com questões emergentes
no novo cenário, demonstrando o seu
amplo escopo contemporâneo de ação.
Entre os temas em destaque temos, a inserção
dos trabalhadores e de suas organizações,
nos debates e lutas com relação
ao meio-ambiente, às questões
locais e relacionadas às novas territorialidades
produtivas, bem como aos processos de definição
de políticas governamentais (em campos
tais como, o social, o econômico e o
industrial). Tudo isso, tendo como pano de
fundo a discussão da cidadania e das
formas de participação e ação
coletivas.
Na segunda sessão,
propõe-se analisar o processo que,
vem alimentando o discurso de suposta modernização
do mundo do trabalho, e que na prática,
na maioria dos casos, tem servido de base
a um agravamento das condições
de vida e trabalho de larga parcela da população.
Trata-se das políticas governamentais
e patronais no sentido de flexibilizar relações
e contratos de trabalho, que tem se traduzido
em uma flexibilização de direitos
sociais, desabrigando os trabalhadores da
já parca proteção social,
conquistada historicamente.
A terceira sessão
tem como objetivo não só discutir
as novas questões que se apresentam
para a análise do mundo do trabalho
neste contexto semovente, mas também,
verificar que novas abordagens têm sido
implementadas no sentido de dar conta das
mesmas. Assim, por exemplo, trataremos tanto
de doenças ocupacionais e suas representações
pelos agentes, como de olhar institucionalmente
o sindicato, em termos de sua gestão
administrativa e organizacional.
Além disso, concluindo a programação
para este ano, o GT se propõe a ministrar
um mini-curso no XXVI Encontro Anual. Isso
se justifica na medida em que tem havido uma
grande demanda por parte dos estudantes, que
têm participado da ANPOCS, de obter
mais informações sobre os processos
de mudança que vêm ocorrendo
no mundo do trabalho e de seus impactos não
só sobre os atores sociais, mas também
sobre a teoria social. Neste sentido, pensamos
no mini-curso “As Transformações
do trabalho e as ações coletivas
dos trabalhadores no mundo contemporâneo”,
a ser ministrado em dois dias pelos Profs.
Ricardo Antunes (UNICAMP) e Marco Aurélio
Santana (UNIRIO).
Dando continuidade aos nossos trabalhos em
2003, teremos o Encontro Anual, que perseguirá
os eixos dispostos acima, com ênfase
na relação entre as novas formas
de organização do trabalho e
as formas correspondentes de resposta sindical,
bem como na análise das formas pelas
quais os sindicatos vão redefinindo
sua inserção no mundo globalizado,
como agentes de representação
de interesses dos trabalhadores. Isso, levando-se
em conta o que seria a nova configuração
das classes trabalhadoras hoje. Além
disso, estamos propondo, como fizemos em 2000,
um Seminário Intermediário,
já agendado para o primeiro semestre,
na Universidade de São Paulo (USP).
Neste, incluiríamos não só
a apresentação de trabalhos
por parte de pesquisadores mais experientes,
mas também sessões de comunicações
coordenadas que contemplem o trabalho discente,
bem como uma mostra de vídeo sobre
a temática.
1ª Sessão: Trabalhadores
e questões emergentes: meio ambiente,
território, política industrial
e cidadania
Coordenador: José Ricardo Ramalho
(UFRJ)
- Paisagens obscuras: o mundo do trabalho
e o pensamento crítico - Maria Célia
Paoli (USP)
- Trabalhadores, redes sociais e controle
do meio ambiente industrial - J.Sergio Leite
Lopes (Museu Nacional/UFRJ)
- Trabalhadores e ação sindical
em novos espaços de produção:
a fábrica da Mercedes-Benz em Minas
Gerais - Magda de Almeida Neves e Antonio
Carvalho Neto (IRT-PUCMINAS)
- Processos de liberação/desregulamentação/privatização
no setor de telecomunicações
e implicações sobre os sindicatos:
Brasil em perspectiva internacional - Sônia
Guimarães Larangeira (UFRGS)
2ª Sessão: Sindicatos
e flexibilização de direitos
Coordenador: Marco Aurélio Santana
(UNIRIO)
- Mudanças na CLT: problemas históricos
e dilemas atuais do novo sindicalismo -
Arnaldo Mazzei Nogueira (PUC-SP / USP)
- O sistema de relações
de trabalho em xeque: uma nota conceitual
- Andréia Galvão (UNICAMP)
- Flexibilidade das relações
de trabalho e flexibilidade produtiva: uma
análise da “nova migração”
do setor automobilístico brasileiro
- Rejane Prevot Nascimento (COPPE/UFRJ)
e Lidia Segre (COPPE/UFRJ)
- A negociação do ajuste
produtivo e das medidas de flexibilização
da legislação trabalhista
nas indústrias calçadista,
siderúrgica e têxtil. - Rosana
Ribeiro (UFU)
3ª Sessão: Novas abordagens
sobre o mundo do trabalho e os sindicatos
Coordenador: Heloísa Martins (USP)
- Nas trilhas de uma sociabilidade privada:
uma experiência de células
de produção em São
Paulo - Leonardo G. Mello e Silva e equipe
(USP)
- O Processo de instituição
de uma doença do trabalho - Diana
Antonaz (Museu Nacional/UFRJ)
- Representação política
e os interesses no STR de Xapuri: os conflitos
e desafios dos anos 90 - Mauro César
Rocha da Silva (PESACRE)
- Análise da Estrutura Organizativa
e o Corpo Funcional Frente às Transformações
Produtivas: Um Perfil do Sindicalismo em
Quatro Cidades Brasileiras - Allan Claudius
Queiroz Barbosa (UFMG)
Resumos
Resumos 2002
1ª Sessão: Trabalhadores
e questões emergentes: meio ambiente,
território, política industrial
e cidadania
Paisagens obscuras: o mundo do
trabalho e o pensamento crítico
Maria Célia Paoli (USP)
A multiplicação dos estudos
sobre o mundo do trabalho desde a última
década retratam, direta ou indiretamente,
sua captura fatal pela lógica estritamente
mercantil ou por relações
comandadas pela sociabilidade privada. Assim,
indicam que as relações organizadas
do mundo do trabalho não apenas perdem
sua força na representação
de interesses e sua presença pública
na dinâmica política da sociedade,
como ainda, conforme Oliveira (2002) perdem
a própria forma, política
e simbólica, que os tornava reconhecíveis
como base concreta para a tradição
do pensamento crítico, sociológico
e historiográfico. Este texto tenta
fazer uma reflexão sobre estas transformações,
interrogando por um lado de que modo a presença
do trabalho, cada vez mais retido no mundo
privado, pode ainda se representar na cena
pública, e de outro avaliar como
o pensamento crítico enfrenta esta
presença deslocada sem transformar-se
em pensamento nostálgico e sem apelar
para esquemas irrelevantes, mas sim abrindo
caminho para a recomposição
do mundo do trabalho na cena pública.
Dados institucionais:
Professora Doutora do Dep. de Sociologia
da Universidade de São Paulo (USP)
Dados de contato:
Dep. Sociologia – FFLCH
Av. Prof. Luciano Gualberto, 315
Cidade Universitária – SP
Cep: 05508-900
e-mail: mcpaoli@uol.com.br
Trabalhadores, redes sociais e
controle do meio ambiente industrial
J.Sergio Leite Lopes (Museu Nacional/UFRJ)
A comunicação propõe-se
a apresentar resultados de pesquisa sobre
participação popular no controle
da poluição industrial, tendo
como base empírica experiências
de municípios do Rio de Janeiro (Volta
Redonda, Itaguaí, Angra dos Reis),
e de Minas Gerais (BH, Betim), fornecendo
a oportunidade de se observar os trabalhadores
sob a ótica da poluição,
da saúde do trabalho, do meio ambiente.
A pesquisa procura relacionar a temática
ambiental com aquela da associatividade
entre as classes populares através
dos conflitos, lutas, negociações
e acordos em torno do controle da poluição
industrial no Brasil. Nestes conflitos e
negociações participam também
diferentes agentes mediadores entre empresas
industriais poluidoras por um lado e parcelas
de trabalhadores e moradores de áreas
industriais poluídas, por outro lado.
Procurar-se-á discutir a pertinência
do fato, observado na pesquisa, de que a
temática do meio ambiente tem tido
mais legitimidade para que através
dela apareçam reivindicações,
conflitos e negociações de
direitos trabalhistas e sociais ou relativos
às condições de trabalho
que antes apareciam de outras formas.
Dados institucionais:
Professor Doutor do PPGAS/MN da Universidade
Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Dados de contato:
Dep. de Antropologia – PPGAS/MN/UFRJ
Quinta da Boa Vista, S/N
São Cristovão – RJ
CEP: 20940-040
e-mail: jsleitelopes@alternex.com.br
Trabalhadores e ação
sindical em novos espaços de produção:
a fábrica da Mercedes-Benz em Minas
Gerais
Magda de Almeida Neves e Antonio
Carvalho Neto (IRT-PUCMINAS)
O objetivo do artigo é analisar
a ação sindical no tocante
às relações de trabalho,
focando nos pontos de conflito mais marcantes
havidos entre o Sindicato dos Metalúrgicos
de Juiz de Fora, a gerência da nova
fábrica da Mercedes-Benz na referida
cidade de Minas Gerais, a comissão
eleita de representantes dos trabalhadores
dentro da empresa e os próprios trabalhadores.
Os pontos de conflito que serão tratados
são: a relação sindicato-empresa;
a relação sindicato-comissão
de representantes; a relação
empresa-comissão de representantes;
a relação trabalhadores-sindicato.
Depois de analisadas estas relações,
enfocaremos a postura destes atores sociais
diante do trabalho em grupos/equipes; a
flexibilização da jornada
via banco de horas e a remuneração
variável. A Mercedes-Benz vem apostando
no greenfield sindical de Juiz de Fora para
praticar baixos salários, negando-se
também a conceder estabilidade à
representação eleita pelos
trabalhadores dentro da fábrica,
como o faz no ABC. No entanto, a contribuição
da Mercedes no sentido de valorizar a negociação
com o sindicato e reconhecê-lo como
sujeito político, começa a
modificar de forma positiva a cultura empresarial
mineira e local, pouco afeita a este tipo
de práticas mais democráticas.
Dados institucionais:
1) Doutora em Sociologia, professora e
coordenadora do Curso de Mestrado em Ciências
Sociais, pesquisadora do Instituto de Relações
do Trabalho da PUC Minas.
2) Doutor em Administração,
professor do Curso de Mestrado em Ciências
Sociais e Diretor do Instituto de Relações
do Trabalho da PUC Minas.
Dados para contato:
IRT – Avenida Brasil, 2023, 8o andar,
Funcionários, Belo Horizonte,
CEP 30.140-002
Tel. (031) 3269-3233
e-mail: irt@pucminas.br
Processos de liberação/desregulamentação/privatização
no setor de telecomunicações
e implicações sobre os sindicatos:
Brasil em perspectiva internacional
Sônia Guimarães Larangeira
(UFRGS)
O trabalho discute a situação
dos sindicatos de telecomunicações
no contexto de mudanças dramáticas
resultante, principalmente, de inovações
tecnológicas “revolucionárias”
que alteram profundamente a configuração
do setor, transformando a filosofia que
o sustentara: as empresas que, no passado,
atuaram sob a concepção de
fornecedoras de serviço público,
passam a atuar sob uma perspectiva estritamente
comercial. As implicações
dessas mudanças em termos de relações
de trabalho, de emprego e, sobretudo, de
relações sindicais são
notáveis. O estudo, beneficiando-se
da comparação internacional,
detém-se no exame do caso brasileiro,
no qual verificam-se mudanças dramáticas
após a privatização
da Telebrás. Busca-se avaliar a ação
dos sindicatos de telecomunicações
face aos desafios que enfrentam no novo
contexto, marcado por mudanças significativas
que lhes retiram a situação
privilegiada de que desfrutaram. A questão
formulada seria: poderia a crise presente
contribuir para a emergência de um
“novo sindicato” com perspectivas
favoráveis aos trabalhadores? No
caso do Brasil, poderia a crise dos anos
90s repetir o que ocorreu nos anos 70s,
quando a repressão auxiliou na emergência
do “novo sindicalismo”?
Dados institucionais:
Professora Titular do Dep. de Sociologia
da Universidade Federal do Rio Grande do
Sul (UFRGS)
Dados para contato:
Até 31.08 02
Endereço:
284 Harvard St # 45
Cambridge, Ma 021
Tel: 617 661 61 62
e-mail: sonia21@mit.edu
A partir de 15 de outubro:
Endereço:
Av Sinimbu, 223/301
Cep 90470470 POA
Tel: 51 3331 5905
e-mail: larangei@vortex.ufrgs.br
2ª Sessão: Sindicatos
e flexibilização de direitos
- Mudanças na CLT: problemas históricos
e dilemas atuais do novo sindicalismo.
Arnaldo Mazzei Nogueira (PUC-SP / USP)
O problema histórico da CLT está
na persistência de institutos de controle
e intervenção do Estado sobre
as relações entre trabalho
e capital, principalmente no que se refere
às dimensões coletiva e sindical.
O sentido mais geral da criação
da legislação social e trabalhista
no Brasil foi regulamentar as relações
de trabalho, proteger o trabalhador individualmente
e garantir, por meio do controle e da intervenção
do Estado, a acumulação e
a modernização capitalista
na fase da industrialização.
Na fase recente do capitalismo brasileiro,
marcado pela ascensão da economia
de serviços e informal, tudo indica
que a legislação trabalhista
e social passa a ser um obstáculo
à livre acumulação
flexível do capital. O presente trabalho
visa discutir esta questão a luz
dos problemas históricos do sistema
brasileiro de relações de
trabalho, da estrutura e da ação
dos sindicatos ao longo do século
XX. No contexto mais recente, o texto propõe
examinar as mudanças “flexibilizadoras”
adotadas na década de 90 e discutir
o papel dos sindicatos, em particular das
centrais sindicais, frente à proposta
específica de alteração
do artigo 618 da CLT, na qual o negociado
prevalecerá sobre o legislado.
Dados institucionais:
Doutor em Ciências Sociais pela Universidade
Estadual de Campinas (Unicamp) e Professor
da Faculdade de Economia e Administração
da Universidade de São Paulo (FEA-USP)
e Faculdade de Economia e Administração
da Pontifícia Universidade Católica
de São Paulo (FEA/PUC-SP).
Dados para contato:
Av. Professor Luciano Gualberto, 908
São Paulo – SP
CEP 05508-900
Telefones: (011) 3818-5811 / 5800
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O sistema de relações
de trabalho em xeque: uma nota conceitual
Andréia Galvão (UNICAMP)
As críticas endereçadas ao
que se convencionou denominar “sistema
brasileiro de relações de
trabalho” encontram-se na ordem do
dia. Essa noção, inspirada
no conceito de sistema de relações
industriais elaborado pelo norte-americano
John Dunlop, compreende as relações
de trabalho a partir de uma perspectiva
ampla e integrada, uma vez que o conceito
sistêmico conjuga a análise
das entidades representativas de interesses
coletivos à dos procedimentos e regras
que regem o processo de negociação
coletiva, possibilitando uma abordagem interdisciplinar.
O objetivo da comunicação
é discutir a pertinência desse
conceito a partir de uma dupla perspectiva:
de um lado, a partir das críticas
feitas à Dunlop por autores ligados
à perspectiva teórica marxista;
de outro, a partir da análise do
caso brasileiro. Neste caso, percebe-se
que a reforma trabalhista empreendida pelo
governo FHC vem sendo efetivada, sobretudo,
mediante a introdução de contratos
flexíveis (por prazo determinado,
em tempo parcial ou a suspensão do
contrato de trabalho), que restringem ou
suprimem direitos, mas em nada alteram o
dito “sistema de relações
de trabalho”, que permanece, em linhas
gerais, organizado segundo o modelo corporativista.
Dados institucionais:
Doutoranda em Ciências Sociais pela
Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Dados para contato:
Endereço: Rua Itu, 234 ap 41, Campinas
– SP.
Fone: (19) 32558388
e-mail: andreia_galvao@hotmail.com
Flexibilidade das relações
de trabalho e flexibilidade produtiva: uma
análise da “nova migração”
do setor automobilístico brasileiro
Rejane Prevot Nascimento (COPPE/UFRJ)
e Lidia Segre (COPPE/UFRJ)
Buscamos neste artigo analisar em que medida
a flexibilidade foi utilizada pelas empresas
brasileiras na última década,
assim como definir seu papel na construção
de um novo padrão de relações
de trabalho e de negociação
sindical, em especial no setor automobilístico
brasileiro. Partimos da hipótese
de que o processo de desregulamentação
das relações de trabalho,
empreendido ao longo dos anos 90, e o consequente
desmonte dos sindicatos neste período
criaram um contexto favorável para
a entrada de novas empresas do setor automotivo
no país. Na segunda metade da década
de 90, no governo do presidente Fernando
Henrique Cardoso, tem início o movimento
de migração de novas montadoras
para o país. Esta “nova migração”
é caracterizada pela instalação
de plantas em regiões com pouca ou
nenhuma tradição sindical,
os chamados greenfields, confirmando uma
estratégia das novas montadoras de
esvaziamento da região do ABC paulista
e da procura por municípios com mão
de obra qualificada e pouca ingerência
dos sindicatos locais, definindo um padrão
de alta flexibilidade nas relações
de trabalho. Este tipo de flexibilidade
é também responsável
pela criação de um contexto
favorável para a adoção
de medidas de flexibilidade produtiva nas
indústrias automobilísticas.
Dados institucionais:
1) Professora Adjunta da Escola de Gestão
e Negócios da Universidade do Grande
Rio e Doutoranda do Programa de Engenharia
de Produção da Coppe/UFRJ
2) Professora Adjunta do Programa de Engenharia
de Sistemas e Computação da
Coppe/UFRJ
Dados para contato:
Coppe/UFRJ
Centro de Tecnologia Bl.H – sala 319
Caixa Postal 68511 – cep.:21945-970
Rio de Janeiro – RJ
tel. 21 25628667
e-mails: segre@cos.ufrj.br e rejane@cos.ufrj.br
A negociação do ajuste
produtivo e das medidas de flexibilização
da legislação trabalhista
nas indústrias calçadista,
siderúrgica e têxtil.
Rosana Ribeiro (UFU)
Nos anos 90, a abertura comercial promoveu
uma intensificação da luta
concorrencial, pressionando as empresas
a um ajuste produtivo. No processo de modernização
produtiva da indústria nacional predominou
o uso de inovações organizacionais
por exigirem menores gastos quando comparadas
às inovações tecnológicas.
Além disso, uma aceleração
na aquisição de máquinas
e/ou equipamentos importados elevaria ainda
mais o déficit comercial. Caberia
indagar: a introdução das
inovações tecnológicas
e organizacionais nas empresas nacionais
são objetos de negociação
entre os sindicatos dos trabalhadores e
os representantes das empresas? As novas
medidas de flexibilização
da legislação trabalhista
são também objetos de negociação?
Um dos objetivos desse trabalho é
investigar as negociações
dessas inovações em alguns
setores e verificar os principais obstáculos
a tais negociações. Outro
objetivo é analisar a estratégia
sindical perante as medidas recentes de
flexibilização da legislação
trabalhista. A pesquisa se concentra nos
trabalhadores da indústria de calçados
do Vale dos Sinos (RS), nos trabalhadores
da indústria têxtil do pólo
de Americana (SP), e nos trabalhadores das
empresas siderúrgicas Acesita e Usiminas
localizadas, respectivamente, em Timóteo
e Ipatinga (MG).
Dados institucionais:
Doutora em Economia pelo IE da UFRJ e Professora
do Instituto de Economia Universidade Federal
de Uberlândia (UFU)
Dados para contato:
Endereço:
Rua Péricles Vieira Mota 1384/302-Uberlândia-MG-
CEP: 38408-220
Fone: (34)32551023
e-mail: raribeiro@triang.com.br
3ª Sessão: Novas abordagens
sobre o mundo do trabalho e os sindicatos
Nas trilhas de uma sociabilidade
privada: uma experiência de células
de produção em São
Paulo
Leonardo G. Mello e Silva e equipe:
Sandra Rufino dos Santos, Leandro Moreira,
Fátima Queiroz, Ana Maria Sanches,
José M. Sacadura e Raissa Gambi (USP)
O trabalho analisa as novas formas de organização
do trabalho. Especificamente, o trabalho
em grupo. Nossa hipótese é
de que as células de produção
permitem uma leitura privilegiada do processo
de privatização e individualização
das relações de trabalho por
que passam hoje os atores coletivos. Ademais,
através de nossa pesquisa em uma
empresa de confecção da cidade
de São Paulo, procuramos discutir
a idéia seguinte: as células
(juntamente com outros expedientes da velha
ordem taylorista-fordista), longe de decretar
a impertinência do conflito típico
de classes, pode estar a fornecer mais elementos
para um conflito com o patronato. Por quê?
Porque essa nova forma de organização,
com sua retórica e ideologia subjacentes,
vão cada vez mais invadindo esferas
da privatividade dos trabalhadores que forneciam
bases para alimentar movimentos sociais,
entre eles o próprio movimento sindical.
Portanto, todas as formas públicas
de participação estariam sendo
colonizadas pelo produtivismo oriundo dessa
nova organização do trabalho.
Os sindicatos, nesse sentido, funcionariam
como uma espécie de dique a esse
movimento de privatização
e individualização, ao tentar
impedir que a lógica produtivista
se apodere de todas as reservas de sociabilidade
disponíveis. Daí a sua função
“pública”.
Dados institucionais:
Professor Doutor do Depto. de Sociologia
da Universidade de São Paulo (USP)
Dados para contato:
Endereço: Rua Camilo, 655 apt. 73
São Paulo SP CEP 05045-020
Tel. (Res.): (11) 3864 1933
Tel. (Trabalho): (11) 3091 3788
e-mail: leogmsilva@hotmail.com
O Processo de instituição
de uma doença do trabalho
Diana Antonaz (Museu Nacional/UFRJ)
Com base em uma pesquisa realizada entre
telefonistas de uma empresa de telecomunicações
do Rio de Janeiro, que começaram
a manifestar dores súbitas e irreversíveis
entre o final dos anos 80 e o início
dos anos 90, analisa-se o processo de construção
e legitimação de uma doença
do trabalho – as lesões por
esforços repetitivos (LER) - a partir
da ação, e dos esquemas mentais
subjacentes, dos diferentes atores envolvidos
(trabalhadores, técnicos e dirigentes
da empresa, sindicalistas e assessores sindicais
e representantes de instituições
públicas das áreas de saúde,
trabalho e seguridade social e do poder
legislativo). No trabalho procura-se mostrar
o processo de construção das
diferentes “verdades”. Nele,
a “construção da doença
do trabalho” é analisada em
dois níveis: no local – do
sindicato e da empresa – procurando
mostrar o papel desempenhado pelos diferentes
atores sociais envolvidos, e num âmbito
mais geral, no qual vai se estruturando,
ao longo do processo, uma articulação
intersindical nacional, que passa a contar
com o apoio de significativos setores da
saúde pública. E, inspirando-me
no mote sindical “saúde é
luta”, procuro desvendar os mecanismos
que fazem da saúde do trabalhador
uma “boa luta” para os sindicatos.
Mostra-se de que forma a ação
mais geral se combina com a ação
local.
Dados institucionais:
Doutora em Antropologia Social pelo PPGAS
(MN/UFRJ) e Pesquisadora Associada ao Departamento
de Antropologia do Museu Nacional (UFRJ)
Dados para contato:
Rua Calheiros Gomes, 472 - Barra de Tijuca
22.611-280 Rio de Janeiro
Tel. 21.24934290 / 991330832
Fax 21. 24930734
e-mail: dantonaz@domain.com.br
Representação política
e os interesses no STR de Xapuri: os conflitos
e desafios dos anos 90.
Mauro César Rocha da Silva
(PESACRE)
Este trabalho analisa o processo político
de construção dos interesses
e/ou das bandeiras de luta de uma organização
sindical de trabalhadores rurais no Alto
Acre, Brasil. Referimo-nos ao Sindicato
de Trabalhadores Rurais do município
de Xapuri, que, nos seus quadros de sindicalizados,
agrega fundamentalmente um tipo particular
de trabalhador extrator, conhecido como
“seringueiro”. Este trabalhador
rural, hoje seringueiro por identidade,
por mais de um século ficou submetido
às privações impostas
pela lógica do sistema de aviamento
que organizava as relações
comerciais e produtivas dentro dos seringais.
Na segunda metade da década de 1970,
com a institucionalização
da organização sindical no
campo, ocorrida bem no auge dos conflitos
por terra, este seringueiro conseguiu emergir
no cenário político e elaborar,
através do processo de mediação
política realizado pelos seus porta-vozes
sindicais, um conjunto de demandas. Dizer
quais foram estas demandas definidas pela
política sindical ao longo desses
últimos dez anos e em quais circunstâncias
foram produzidas e formuladas pelo STR de
Xapuri, além de procurar investigar
quais as implicações políticas
daí decorrentes para esse sindicalismo,
constituem os principais objetivos desta
pesquisa.
Dados institucionais:
Mestre em Desenvolvimento e Agricultura
pelo CPDA/UFRRJ; Pesquisador do Grupo de
Pesquisa e Extensão em Sistemas Agro-florestais
do Acre – PESACRE.
Dados para contato:
Endereço: Conjunto Manoel Julião,
Bloco O-1/Apt 201. Estação
Experimental. Rio Branco/Acre. Cep: 69.907-540.
Tel: (68) 226-3907; 223-3773
e-mail: maurorocha@uol.com.br
Análise da estrutura organizativa
e o corpo funcional frente às transformações
produtivas: um perfil do sindicalismo em
quatro cidades brasileiras
Allan Claudius Queiroz Barbosa
(UFMG)
O presente trabalho propõe-se a
discutir como se visualiza o formato organizacional
dos maiores sindicatos brasileiros localizados
nas cidades de Belo Horizonte, Porto Alegre,
Rio de Janeiro e São Paulo, considerando
a perspectiva de seus dirigentes, que estão
diretamente ligados à rotina organizacional.
Inicialmente parte-se da constatação
que o movimento sindical vem sofrendo nos
últimos anos o impacto da reestruturação
na esfera produtiva. A tão propalada
globalização trouxe para o
mundo do trabalho modificações
que afetaram a conduta e a prática
sindical nas suas múltiplas dimensões.
Observada de maneira mais intensa no campo
político, é no cotidiano dos
sindicatos que se percebe de maneira nítida
os avanços e recuos perpetrados por
esse impacto do ambiente. Observando o esforço
de melhoria da atividade gerencial em organizações
sindicais, com características próprias,
mas que necessitam de suporte administrativo,
o trabalho situa o formato organizacional
no contexto dos maiores estados brasileiros,
e desnuda sua postura frente ao contexto,
estando visíveis dificuldades inerentes
à gestão. O sindicato, ao
representar interesses da categoria, é
também um espaço organizacional
e o seu gerenciamento é imprescindível,
sinalizando para os desafios da modernização
em um quadro desfavorável a ações
coletivas.
Dados institucionais:
Doutor em Administração e
Professor da Universidade Federal de Minas
Gerais (UFMG)
Dados para contato:
Endereço: Faculdade de Ciências
Econômicas da UFMG
Rua Curitiba 832, sala 1204 – Centro
– Belo Horizonte – MG –
CEP 30170-120
Telefone (31) 32799044 – Fax (31)
32126561 –
e-mail : allan@ufmg.br
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