GORENDER, Jacob. Combate nas trevas. A esquerda brasileira: das ilusões perdidas à luta armada. São Paulo, Ed. Ática, 1987, 2ªed. Resumo: No currículo de Jacob Gorender não constam títulos acadêmicos. Eles são substituídos por uma longa militância prática e teórica. Membro durante anos do PCB, onde chegou até o Comitê Central, e fundador do PCBR, Gorender sempre procurou fazer o que boa parte dos militantes marxistas não fazem: aliar à prática política uma sólida formação teórica. Autor de inúmeros ensaios e artigos, onde trata tanto de questões teóricas, como analisa vários aspectos da realidade brasileira em diversos momentos históricos, Gorender escreveu o Escravismo Colonial, uma obra considerada clássica pela comunidade acadêmica. Jacob Gorender atuou também como jornalista, escrevendo principalmente em órgãos de esquerda,e editor, sendo responsável pelo planejamento e organização da coleção Os Economistas.Neste Combate nas Trevas, Gorender alia dois elementos aparentemente contraditórios: a garra de combatente e a seriedade do historiador.Só mesmo um combatente teria a garra necessária para buscar arquivos até então inacessíveis, ler dezenas de tediosos processos e fazer um grande número de entrevistas com pessoas das mais diferentes partes do Brasil que de um modo ou de outro participaram dos acontecimentos aqui narrados. Na verdade é o combate que trava o verdadeiro pesquisador. Como historiador, Gorender mantém uma distância dos fatos que a objetividade do cientista exige,mesmo daqueles em que participa de forma dramática. Em nenhum momento se deixa envolver por sentimentos pessoais, e se alguns personagens saem engrandecidos ou diminuídos do livro, não é por obra do autor, mas única e exclusivamente devido a sua atuação histórica apresentada sempre de forma objetiva e documentada. Finalmente é indispensável que se diga: Jacob Gorender não se enquadra, como bom marxista, em nenhuma das seitas ideológicas que se constituíram tendo como pressuposto a teoria de Marx.Fica claro que Gorender tem no marxismo uma ferramenta teórica de análise da realidade e de orientação da prática política. O seu marxismo é algo vivo, enquanto teoria comprometida com a busca permanente da verdade, dialeticamente ligado à realidade histórica, e não um simples conjunto de fórmulas ou receitas prontas e fáceis.
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