Ficha Catalográfica

Sumário

FERREIRA, Maria de Nazareth. A imprensa operária no Brasil. 1880-1920. Petrópolis, Ed. Vozes, 1978.

Resumo:

O presente estudo revela um mundo quase inteiramente desconhecido: a classe operária brasileira no início do século XX. Para reconstruir esse tema tão pouco estudado, a autora soube fazer uso criativo de fonte quase sempre relegada a segundo plano: a imprensa operária. O grande valor do livro é apresentar, valendo-se da imprensa operária, a história dos sindicatos dos gráficos de São Paulo. A imprensa operária não é o oráculo que detém a explicitação definitiva sobre as classes trabalhadoras no Brasil. Entretanto, não há nenhuma dúvida que, para esse quadro desaparecido do final do século XIX e do começo do século XX, a imprensa operária constitui a fonte privilegiada e indispensável. Ao contrário do que se possa imaginar, os jornais estão longe de constituírem exclusivamente tribunais para querelas ideológicas ou para quizílias doutrinárias no interior de capela s – como fez crer a historiografia oficial. Os jornais fornecem generosas informações sobre a sociedade da época, as condições de vida das classes subalternas, suas manifestações culturais.
Os numerosos jornais operários são assim o instrumento fundamental para a reconstrução da dimensão política da história social.
O mérito deste estudo foi não se enredar num encantamento por um mundo desaparecido: não se desembocou numa obra de antiquário, de colecionador de sinais e de ritos desaparecidos. O que deve interessar à história social, indo além da mera reconstrução, é mostrar e explicar como ocorreu a instauração da autoridade das classes dominantes, e do Estado, sobre as classes subalternas, com a utilização, conforme circunstâncias, da força policial ou do controle do processo político. Por ter sabido levar em conta esse pequeno detalhe, o estudo da professora Maria Nazareth Ferreira constitui um passo muito importante para a nossa história social.

(Retirado da contra capa do livro)