Ficha Catalográfica

Sumário

 

DECCA, Maria Auxiliadora Guzzo. A vida fora das fábricas: cotidiano operário em São Paulo, 1920-1934. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1987.

Resumo:


A vida fora das fábricas vem se somar aos esforços de novos historiadores em imprimir interpretações alternativas às versões mais consagradas da historiografia. Sem descartar esta dimensão, o leitor poderá também vivenciar neste livro a maneira pela qual o passado, minuciosamente trabalhado pela historiadora, pode ser produzido como uma narrativa não linear.
O leitor poderá percorrer o universo da cidade de São Paulo dos anos vinte e trinta através de três caminhos de narrativas que ora se cruzam, ora seguem direções diferentes. A primeira narrativa constrói a historicidade da questão central vivida na cidade de São Paulo pelos diversos agentes sociais: o redimensionamento e a racionalização das condições do trabalho urbano. A segunda narrativa se tece com as vozes e os discursos de engenheiros, assistentes sociais, médicos, educadores, empresários, todos eles, à sua maneira, objetivando como fim último, definir um padrão de vida para o operariado urbano. Com palavras claras e ações explícitas desvendam-se as excusas intenções implícitas: privar o operariado, como sempre acontece, da possibilidade de auto-determinação de suas condições de existência. Este é o tempo histórico de reordenação do projeto de dominação burguesa na cidade de São Paulo entre 1920 e 1934.
A contraposição a este ordenamento é uma terceira narrativa que se tece a partir da experiência e da cultura do mundo do trabalho. Uma surpreendente descoberta se revela. A cultura operária, através das práticas e das falas não responde automática e reflexivamente às investidas da dominação burguesa. Ela tem seu tempo próprio e aponta para um outro projeto de ordenação da sociedade, para outras expectativas, para outras esperanças, para outros horizontes.
Por tudo isto, A Vida fora das Fábricas se parece muito com São Paulo, que se nega a qualquer interpretação linear, pois esta cidade “é o avesso, do avesso, do avesso, do avesso.”.


(retirado da orelha do livro)