Ficha Catalográfica

Sumário

 

 

 

 

 

 

 

 

 

COSTA, Celia Maria Leite, PANDOLFI, Dulce Chaves, SERBIN, Kenneth (orgs.). O Bispo de Volta Redonda: memória de Waldyr Caheiros. Rio de Janeiro: Editor FGV, 2001.

Resumo:

A Igreja latino-americana teve uma “década gloriosa”, entre o encontro dos bispos de Medellín, em 1968 e o de Puebla, em 1979. Ali, na continuação do Concílio Vaticano II, brotaram e se multiplicaram experiências de pastoral social, as Comunidades Eclesiais de Base e a teologia da libertação, articulando a Fé com a Vida e com os problemas concretos, para aterrizar na opção irrenunciável com os pobres. Tivemos então figuras proféticas no episcopado. Numa primeira geração ainda anterior, os pais fundadores, D. Hélder Câmara ou D. José Távora no Brasil, D. Manuel Larraín no Chile, D. Sérgio Mendes Arceo no México ou D. Leônidas Proaño no Equador. Logo depois, os bispos que surgiram durante o Concílio, entre tantos, D. Paulo Evaristo Arns em São Paulo, D. Antonio Fragoso em Crateús, D. José Maria Pires em João Pessoa, D. Tomás Balduíno em Goiás, D. Samuel Ruiz em Chiapas, diocese de Bartolomeu de lãs Casas no México. E no meio deles, sempre à frente nas iniciativas, congregando e convocando, D. Waldyr Calheiros, em Volta Redonda. Bispo auxiliar do Rio de Janeiro em 1964, bispo residencial da diocese fluminense de 1966 até pouco tempo atrás, foi um dos responsáveis por uma das mais criativas renovações pastorais pós-conciliares.
Sua ordenação como bispo se deu logo depois do golpe-de-estado militar e isso marcaria sua atuação. Foi dos primeiros a enfrentar o regime autoritário, num momento em que amplos setores da Igreja Católica no dizer de um autor, “estavam ainda na corda bamba”. Campeão dos Direitos Humanos, dos direitos dos operários, como bispo de uma cidade industrial e, patriota, na defesa de um patrimônio nacional dilapidado pelo entreguismo dos que não têm compromisso com o país.
Pude acompanhar D. Waldyr em muitos encontros de bispos. Posições firmes e bem expostas, um excelente articulador dos bispos renovadores, ao mesmo tempo com transito entre os moderados e os indecisos. Um mixto de nordestino valente e carioca adotivo jeitoso, conquistando adesões pela força de sua prática pastoral.
Agora que deixou a direção da diocese, está disponível e livre pra seguir trabalhando em nível nacional por uma evangelização libertadora e irradiante. Este livro é uma excelente contribuição para visibilizar um dos itinerários pastorais mais fecundos, num momento em que a Igreja Católica se renovou e remoçou pelo carisma e pelo testemunho dos clérigos, religiosas e religiosos, leigas e leigos. Espero que outras biografias e entrevistas apareçam, depois deste livro e dos que forma editados sobre D. Hélder e D. Paulo Evaristo. Serviço a Igreja e ao Brasil, para que a memória mantenha viva o que foi expressivo e renovador.

Luiz Alberto Gómez de Souza,
Antigo dirigente da Ação Católica,
assessor de pastorais sociais e das CEB